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O Castelo Interior enquanto lugar teológico da consciência e da experiência cristã

  • Foto do escritor: Professor Marcelo Bruggemann
    Professor Marcelo Bruggemann
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Por: Pe. Eduardo Augusto de Andrade é sacerdote diocesano, atua na PASCOM de SP e evangeliza pela música na Ressurex.


castelo interior


Pe. Eduardo Augusto de Andrade
Pe. Eduardo Augusto de Andrade

Numa atual sociedade que traz a herança de modelos culturais e religiosos pluralistas, partilha-se o tema acerca do Castelo Interior de Santa Teresa de Jesus como lugar teológico da consciência e da experiência cristã, segundo nossa visão ocidental sócio-eclesiológica. A respeito desse assunto, duas posturas chamam a atenção atualmente: uma objetiva — externa — e outra subjetiva — interna. Na primeira, percebe-se o mundo da vida, da existência e das relações externas. Na segunda postura, manifesta-se o mundo da vida interior.


A primeira postura, qualitativamente, demonstra elementos que podem ser ativadores de comunhão, caridade e moderadores de realizações em comum. Negativamente, podem ser meios de alienação, superficialidade e fragmentação da unidade da vida externa, um dado existente imanente à finitude humana. Já a segunda postura, positivamente, aponta para o contato com a identidade espiritual, psicológica e com experiências transcendentais que eclodem da alma humana. É a eclosão de um despertar consciente do divino que se desvela na vida. Impropriamente, pode ser fonte de fechamento, egoísmo, distanciamento e desequilíbrio dessas mesmas realidades apresentadas. É o que se chama concupiscência do humano.


É interessante notar que tanto uma como outra postura atingem, enquanto ordem natural e sobrenatural, as relações para com a sacralidade da vida e as relações para com Deus. Entretanto, pode-se perguntar: como pode Santa Teresa de Jesus auxiliar, com o símbolo do Castelo da Alma — sua obra mais mística — frente a tais instâncias? Para tanto, faz-se um paralelo com um antigo mito grego de Platão, chamado “mito da caverna”, sem a intenção de depreciar a reflexão filosófica que existe a partir do mesmo, o qual se encontra inserido no cerne da consciência e experiência do Ocidente.


Em síntese, este mito menciona alegoricamente que estamos presos dentro de uma caverna e que, quando conseguimos nos libertar das amarras que nos prendem, saímos da caverna e contemplamos a Luz, o Bem e a Verdade. Feita essa experiência, voltamos para libertar os que ainda estão presos na escuridão da caverna, ou seja, no engano e na mentira. Aqui há um movimento e um convite para a liberdade da consciência de “dentro para fora”, onde fora está a Verdade.


Santa Teresa de Jesus vai na contramão do referido mito, a partir de um convite hodierno para um movimento contrário, de “fora para dentro”, enquanto a Verdade é o próprio Deus, estando a mesma oculta na natureza da alma humana. Seu convite é para um mergulho na interioridade, na experiência espiritual que revela o autoconhecimento divino como graça e dom de Deus para conosco. Quanto mais se adentra às moradas interiores do castelo da alma, mais se deixam as trevas, uma vez que o homem é elucidado pela luz dos aposentos centrais onde habita o Rei, Jesus Cristo.

No Castelo Interior, a aquisição da Verdade-Deus dá-se pela via da oração, a qual transforma e introduz o humano como partícipe desta consciência divina presente em si mesmo, num contato perene de diálogo e amizade com Jesus Cristo. Logo, esta é a proposta e o significado do Castelo Interior: ser “Casa da Verdade” dentro do homem.


O Castelo de Santa Teresa de Jesus é um lugar teológico de experiência viva e operante, o qual se abre para o mistério divino que santifica o ser humano, culminando num encontro transformador que gera comunhão existencial. A partir deste paradigma, cresce a consciência cristã à medida que se adentra neste amplexo divino, pois dentro do castelo encontra-se a autoidentidade divino-humana.


Experimenta-se e percebe-se quem é Deus e quem é o ser humano, bem como o que pode Deus e o que pode o ser humano, posto que a sua verdadeira identidade está em Cristo. Constata-se, pois, que há uma unidade dinâmica e complementar nas relações de ordem interna e externa, onde não há dicotomia entre elas nem dualidade de corpo e alma, a propósito da expressão de sentido como consciência teológica do significar do Castelo Interior.


É a partir de tal ponto fundante que Teresa convoca à partilha pelo testemunho encarnado de uma fecundidade do espírito, experiência essencial e basilar do caminho da vida cristã. Nesta lógica, há o impulso para o seguimento do Evangelho de Cristo por meio da fé e das obras na vida da Igreja e em toda a comunidade humana, configurando-se num discipulado objetivo e seguro.


A partir desses pressupostos, longe de qualquer fechamento, desrealização ou alienação da vida, conclui-se que o Castelo de Teresa engloba ambos os aspectos positivos das posturas inicialmente apresentadas, indo muito além de si mesmas. Ele aponta para a primazia do amor e desinstala para a alteridade, trazendo a salvação dentro do singular da história pessoal.


O caminho para o Castelo Interior é um caminho para a consciência de experimentar a liberdade em Cristo, pois é Ele o verdadeiro lugar, fonte da experiência da consciência que plenifica toda a nossa humanidade. Faz-se, então, um convite à reflexão: muitas vezes o homem está acostumado, comodamente, aos seus esquemas mentais acerca do que pensa ser de fato a vida, quem é e quem é Deus. Ainda assim, é possível lançar mão desses velhos pressupostos para ousadamente buscar, no desvelar-se da interioridade espiritual do Castelo, aquelas realidades que sempre o interpelam e confrontam, a fim de que sejam traduzidas em experiências afetivas com novas perspectivas de sentido e novos caminhos a serem trilhados, esperando apenas sua contribuição e adesão amorosa.


“Que ele mesmo seja sua morada.” (5M 2,2)

 

Pe. Eduardo Augusto de Andrade



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